PF aponta uso de CPFs de 549 pessoas falecidas em esquema investigado; saiba como proteger seus dados

CPFs de pessoas falecidas teriam sido usados em esquema investigado pela PF

Investigação reacende alerta sobre uso indevido de informações pessoais e mostra a importância de acompanhar contas, empréstimos e relacionamentos financeiros vinculados ao CPF.

Uma investigação da Polícia Federal e da Receita Federal trouxe novamente à tona um problema que preocupa consumidores e empresas: o uso indevido de dados pessoais em operações financeiras.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Federal identificou o uso de CPFs de 549 pessoas falecidas, além de laranjas e estruturas empresariais, em um esquema sob investigação relacionado à movimentação e lavagem de recursos. A apuração envolve a Pixbet e integra uma operação que também investiga movimentações financeiras, empresas intermediárias e recursos enviados ao exterior.

É importante destacar que se trata de uma investigação, e as responsabilidades individuais ainda dependem da apuração das autoridades e dos procedimentos legais correspondentes.

O que o caso revela sobre o uso indevido do CPF?

O episódio chama atenção porque um CPF pode ser utilizado indevidamente em diferentes tipos de fraude.

Uma das preocupações é a abertura de relacionamentos financeiros sem conhecimento do titular. Para ajudar o cidadão a identificar situações desse tipo, o Banco Central disponibiliza gratuitamente o Registrato.

Por meio do Relatório de Contas e Relacionamentos (CCS), é possível verificar em quais bancos e instituições financeiras existem contas, investimentos ou outros relacionamentos associados ao CPF ou CNPJ. O próprio Banco Central informa que uma das finalidades desse relatório é identificar eventual utilização indevida do documento para abertura de conta fraudulenta.

O relatório não apresenta saldos, movimentações ou números das contas. Ele mostra as instituições com as quais existe ou existiu relacionamento e as respectivas datas.

Como descobrir se existem empréstimos que você não contratou?

Outra verificação importante pode ser feita pelo Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR).

O documento apresenta compromissos de crédito informados por bancos e instituições do Sistema Financeiro Nacional, incluindo saldo devedor, modalidade da operação, situação da dívida e determinados limites de crédito.

Entre as finalidades indicadas pelo Banco Central está justamente conferir se existe alguma dívida registrada no nome do cidadão que ele não reconhece ou não contratou.

Atualmente, a consulta ao relatório é realizada pelo Registrato com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada.

Encontrei uma dívida que não reconheço. O que fazer?

Encontrar uma operação desconhecida não significa automaticamente que houve fraude. Primeiro é necessário identificar qual instituição enviou aquela informação.

Segundo o Banco Central, quando o consumidor encontra uma dívida que não reconhece no SCR, deve procurar inicialmente a instituição financeira responsável pelo registro e solicitar esclarecimentos ou correção.

Se a questão não for solucionada pelos canais de atendimento, o próximo caminho indicado é procurar a Ouvidoria da instituição. Persistindo o problema, é possível apresentar reclamação ao Banco Central.

Como verificar se abriram uma conta usando seu CPF?

Nesse caso, o Relatório de Contas e Relacionamentos (CCS) é particularmente relevante.

Ele permite verificar os bancos e instituições com os quais o CPF mantém ou manteve relacionamento.

O relatório é atualizado diariamente, embora determinadas informações possam aparecer com atraso de até dois dias úteis devido ao prazo concedido às instituições para o envio dos dados ao Banco Central.

Caso apareça uma instituição que você desconhece, o ideal é entrar em contato diretamente com ela e investigar a origem do relacionamento.

Monitoramento também faz parte da prevenção

Fraudes envolvendo identidade podem não ser percebidas imediatamente.

Por isso, alguns cuidados são importantes:

  • acompanhar periodicamente contas e relacionamentos financeiros vinculados ao CPF;
  • conferir empréstimos e financiamentos registrados;
  • revisar extratos e faturas;
  • utilizar autenticação em dois fatores sempre que disponível;
  • desconfiar de solicitações inesperadas de documentos, senhas ou dados bancários;
  • evitar clicar em links recebidos por canais desconhecidos;
  • procurar diretamente a instituição envolvida quando encontrar uma informação que não reconhece.

O Banco Central também alerta que não solicita senhas ou dados bancários, não cobra dívidas ou taxas e não participa de renegociações de dívidas.

Informação pode ajudar a identificar problemas mais cedo

O caso investigado pelas autoridades mostra que dados cadastrais podem assumir papel relevante em esquemas de fraude e ocultação de identidade.

Para o consumidor, a principal lição é não esperar necessariamente que um problema apareça para começar a verificar suas informações.

Ferramentas oficiais como o Registrato permitem acompanhar parte importante dos relacionamentos financeiros associados ao próprio CPF e identificar situações que mereçam investigação.

Conhecer seus dados também é uma forma de se proteger.

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